Juiz paraibano faz apelo: “quando puderes, vá à Igreja. Por enquanto fica em casa, em nome de Jesus!”

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Já falei outrora sobre os “falsos cristãos”, pessoas que se dizem cristãs para aparentar santidade, sem no entanto, conhecer e, o mais importante, praticar a Palavra de Cristo. “Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos” (Mateus 24:5).

Falarei, com lamento e dor, de setores das Igrejas cristãs, que a despeito da vida, utilizam-se de estratagemas anticristãos para se manterem abertas, promovendo aglomeração, mesmo diante de uma das maiores crises sanitárias vivenciadas pelo povo de Deus, ceifadora de milhares de vida de irmãos em Cristo.

O que falta aqui: sensatez ou espírito cristão? Eu diria que falta conhecer os ensinamentos de Jesus, sua prática de vida, seu Evangelho, a Palavra. Sei que essa parte da Igreja sobredita de Cristo se revoltará com minhas palavras. Cristo também foi acolhido com revolta pela igreja secular, enraizada em tradições e não ainda no Evangelho. Jesus entra em confronto com esse grupo, os fariseus. Aliás, melhor diria se dissesse que eles, os escribas e fariseus (religiosos da época) é que partiram para atacar e não aceitar os ensinamentos de Jesus, que se defendeu mostrando seu Evangelho e anunciando o Reino de Deus. “Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo” (Mateus 23:13).

Jesus Cristo e sua Graça não nos abandonará por não irmos a Igreja por um período de tempo determinado e, por necessidade humanitária. O texto não defende e não propaga contra o ato de congregar, ao contrário, entendo que a Igreja e a reunião de fiéis são importantes para o culto ao Senhor. “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18:20). Isso não somente na Igreja, mas também em casa, no trabalho, na rua, no encontro com os mais pobres e necessitados. O estar com Jesus não se resume a estar na Igreja. Cristo, por meio do Espírito Santo, está conosco todos os dias: “Eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mateus 28:20).

Foto: arquivo pessoal

Ao defender e atuar para que a Igreja seja considerada serviço essencial e, portanto, permitindo a realização missas, cultos e celebrações com aglomeração de pessoas, o religioso ou líder político desdenha da Palavra de Cristo, assumindo a postura mundana e atual do negacionismo, anticientífica, comprovada pelas milhares de mortes de nossa gente (genocídio).

Sou Cristão, por isso professo minha fé e uso como fundamento da minha fala a Palavra de Deus, a Bíblia. Não há invenções, contorcionismo dialético ou uso de Fake News. Temo a Palavra do Senhor! A própria Bíblia nos adverte de que “se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro” (Apocalipse 22:19). Respeito todas as religiões e mesmo a opinião de quem não professa nenhuma religião ou fé. Jesus também o fazia. “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor” (João 10:16).

Orar faz bem, não tenha dúvida. Busque o Senhor enquanto é tempo. “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” (Isaías 55:6). No entanto, não nos esqueçamos que embora a Igreja/Templo/Sinagoga seja importante para o congregação, vivenciamos o tempo da Graça e não da Lei. “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Romanos 6:14); vivenciamos a salvação por intercessão de Jesus e não pela expiação dos pecados no templo. O véu do Templo escondia o lugar em que a presença de Deus se revelava mais intensamente (Hebreus 9:3-8), apontava para a impossibilidade do homem se aproximar do Senhor. Somente o Sumo Sacerdote, e apenas uma vez por ano, tinha permissão de ir além do véu e entrar no Santo dos Santos. Ao se entregar como Cordeiro de Deus, Cristo foi imolado e tornou-se o nosso sacrifício eterno (Hebreus 6:19,20).

O sacrifício de Cristo nos trouxe a cisão dessa obrigatoriedade(Lei) de intermediários com Deus, passando Ele a ser nosso intercessor mediante a Graça. “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hebreus 10:19,20). Rasgou-se nesse momento o véu do templo “Eis que o véu do Santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo” (Mateus 27:51), nos dando acesso direto a Deus, por meio de Cristo.

A Glória de Deus (Shekinah), que antes só estava presente no Templo, hoje habita em nós através do Espírito Santo. Somos templo do Espírito Santo. “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? (1 Coríntios 6:19).

Não se trata de uma exortação para não ir Igreja, contra a congregação. Trata-se da explicação bíblica de que não necessitamos de intermediários entre nossa oração e Deus. Não há estímulo a não ir ao culto, a não ir à missa. Ao contrário, defendo que os Cristãos congreguem, irmanem-se e se instruam sobre a Palavra. Jesus ia ao Templo, congregava nas sinagogas. “E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo” (Mateus 4:23).

Quando puderes, vá a Igreja, por enquanto fica em casa, em nome de Jesus!

Enquanto não passa (e vai passar) esse mal que nos assola, faz tuas orações e intercessões no teu reservado, como pediu o próprio Jesus: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mateus 6:6).

Os seguidores de Cristo são chamados para amar o próximo como a si mesmos, então o sofrimento de pessoas, acometidas por doenças e até a morte, deve importar muito mais que um culto, uma missa, uma atividade religiosa. A vida, dom eterno de Deus, deve ser privilegiada, deve ser defendida, deve ser prioridade. “O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Marcos 12:29-31).

Amar ao próximo significa amar a Deus, e, Deus é vida. A vida do outro importa. Portanto, meu amor ao próximo – mandamento – passa por respeitar os protocolos sanitários de proteção à vida. Do contrário, uso a Palavra de Deus em vão, apenas para justificar meus interesses, em outras palavras, não a cumpro.

Ouçamos e cumpramos, portanto, as determinações das autoridades civis e científicas, conhecedoras do momento nevrálgico e caótico que vivenciamos. Cumpramos a Palavra, que nos exorta: “Cada um se submeta às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram estabelecidas por Ele” (Romanos, 13:1-3).

Tenhamos cuidado com os falsos profetas e as lideranças cegas, que nos conduzem à morte. A liderança, quando verdadeiramente líder, conduz seu povo para salvação, não para a morte. A liderança que opta pela não preservação da saúde, da segurança e da boa instrução de seu povo não é uma boa liderança. Aliás, de líder não pode ser chamado; trata-se apenas de instrumento de manobra dos verdadeiros líderes – aqueles que servem a “Mamom” (dinheiro).

Desconfie daqueles líderes que, ao invés de lhe conduzir para o caminho da vida, conduz – como cegos – ao caminho da morte. “Deixai-os; são cegos condutores de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova” (Mateus 15:14).

Perscrutem em seu coração quais serão os interesses desses líderes em manter suas igrejas abertas, mesmo diante de evidências e alertas da ciência sobre o risco de contágio e, consequente morte pelo Covid-19. “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Mamom [Dinheiro]” (Mateus 6:24).

Por fim, um último apelo. Antes de transformar os que defendem o fechamento momentâneo das igrejas em anátemas, reflita sobre a Palavra de Deus; busque a verdade no Verbo da Vida: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6); conheça a verdade, e a verdade vos libertará (João 8:32) de pré-conceitos, muitas vezes não refletidos; de amarras religiosas farisaicas, quem não refletem a mensagem de amor de Jesus. Talvez, após essa reflexão, se possa entender que quando lhe convém, até o diabo pode citar as escrituras, conforme alertava Shakespeare, em ‘O Mercador de Veneza’.

Por Edivan Rodrigues Alexandre, Cristão!

Juiz do Tribunal de Justiça da Paraíba