Governador adota estratégia certa ao reforçar pontes com a bancada

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Governador adota estratégia certa ao reforçar pontes com a bancada
Governador adota estratégia certa ao reforçar pontes com a bancada

O governador João Azevêdo (PSB) vem estreitando laços com a bancada de sustentação oficial na Assembleia Legislativa e esta é uma estratégia acertada do ponto de vista de garantir apoios a matérias relevantes encaminhadas pelo Executivo, bem como para obter solidariedade na fase difícil que ainda está em curso com os desdobramentos imprevisíveis da Operação Calvário, que já ceifou cabeças de secretário(a)s, compelido(a)s a pedir exoneração para não expor a gestão a maus lençóis ou a desgaste insanável. Nos últimos dias, Azevêdo recebeu parlamentares em três rodadas e já está agendado para o dia 10 de junho, segundo o líder Ricardo Barbosa, um grande encontro com a participação de todos os 24 integrantes do colegiado governista.

Ricardo Barbosa expressou que os contatos são positivos para redefinir encaminhamentos de pautas, avaliar políticas públicas e reiterar laços de solidariedade e afinidade com o governador e com a gestão que ele preside. Há indícios de uma ou outra insatisfação residual, como a da deputada Pollyanna Dutra, representante da região polarizada por Pombal, que se queixa de isolamento e de represália face a posturas críticas que tem adotado. A combativa deputada já sinalizou com a perspectiva de migrar da sigla do PSB para poder sobreviver, mas o caso ainda não é dado como “favas contadas” entre interlocutores do governador João Azevêdo. Em situação extrema, sendo irreversível a defecção da deputada, o governo conta com a hipótese de que não faltará deputado disposto a se acostar ao seu aprisco e, assim, processar reposição de peça valiosa no plenário da Assembleia Legislativa.

É de notar que o estilo do governador Azevêdo na relação com a classe política não se cinge ao encaminhamento de pleitos específicos de deputados para as regiões que representam, mas a um diálogo ampliado sobre políticas públicas e metas que o governo considera essenciais para o deslanche da chamada continuidade do projeto originalmente empalmado pelo ex-governador Ricardo Coutinho em dois mandatos consecutivos. Ainda ontem, o secretário de Planejamento foi despachado para o plenário da Assembleia Legislativa a fim de debater com os membros da Casa de Epitácio Pessoa pontos vitais da proposta orçamentária. A audiência pública congregou representantes de outros Poderes, que foram brindados pelo menos com um aceno do secretário Gilmar Martins de Carvalho: a revisão de valores dos duodécimos repassados, e que são considerados insignificantes diante do custo operacional que esses Poderes são obrigados a desembolsar no atendimento de encargos que lhe são inerentes.

Para quem foi apresentado ao eleitorado paraibano como um neófito em política, mas um técnico com visão arrojada e domínio de causa da problemática local, descortinando, ainda, perspectivas de soluções para problemas que fazem parte do contencioso a ser gerido, é de se constatar que o governador João Azevêdo está tendo um desempenho frutuoso para o êxito da administração que conduz. O governo não cede tudo porque essa lógica é impossível, mas faz as concessões razoáveis dentro do planejamento geral que traçou e cujo acompanhamento é quase obsessivo para o atingimento de metas satisfatórias. A classe política, por sua vez, é chamada a partilhar a compreensão e as preocupações com o instante da conjuntura. Assim, dá à luz o enredo ideal da governabilidade.

Embora não tenha a preocupação de superar o antecessor Ricardo Coutinho na execução e cumprimento de metas administrativas, João Azevêdo sabe que tem diante de si a oportunidade de avançar mais ainda no que foi construído até agora, no aspecto positivo – num arco que abrange da infraestrutura à Educação. O gestor tem conhecimento, por extensão, do potencial negativo de interferência que conjunturas difíceis exercem no que diz respeito à execução do que está teorizado ou planejado. Há dificuldades de relacionamento com o próprio governo federal, pilotado pelo capitão Jair Bolsonaro, de quem Azevêdo diverge política e ideologicamente, mas não se acredita que a Paraíba continue sendo retaliada ou mitigada no atendimento de seus pleitos por questões paroquiais. O que salta aos olhos é que João Azevêdo procura cumprir ao pé da letra o dever de casa, de acordo com suas concepções e com a realidade com que se depara. Só o êxito dessa empreitada pode credenciá-lo a um lugar de destaque na história política-administrativa da Paraíba e, até mesmo, à hipótese de uma reeleição, que equivaleria a julgamento de mérito sobre o que fez ou deixou de fazer. Assim é, se lhe parece…

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