Garotas Geeks | Spiritfarer transforma a morte e o pós-vida em um abraço quentinho

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Spiritfarer é uma experiência maravilhosa!

Uma das reflexões surgidas durante esse período de pandemia e que a cada dia parece mais certeira é que devemos muita gratidão aos videogames. Eles são uma das melhores formas de tirar a cabeça de todo esse caos que acontece no mundo lá fora, e por vezes são capazes de causar uma deliciosa sensação de calorzinho no coração.

E dentre os jogos lançados esse ano, um me chamou especial atenção, por conta dos sentimentos envolvidos e da forma como parece adequado para o momento: Spiritfarer, da Thunder Lotus Games.

Em Spiritfarer, você joga como a guia de espíritos, Stella, que em seu barco conduz os mortos ao pós-vida, junto ao seu gatinho Daffodil. No jogo, você constrói seu barco e explora esse mundo, fazendo amizades com espíritos antes de auxiliá-los em sua jornada ao destino final. Entre as jornadas de trabalho emocional, você ainda pode fazer diversas tarefas no mesmo estilo de Animal Crossing – plantar, cultivar, minerar, cozinhar, pescar, e construir coisas pelo mundo.

De forma sincera, poucos são os jogos capazes de causar essa sensação de um abraço quentinho de forma relaxante, especialmente lidando com o tema da mortalidade.

A abordagem do jogo é diferente – uma espécie de enquadramento em um espaço inconsciente que vem logo antes de algo melhor. Você cria laços com esses espíritos e então os ajuda a seguir para um plano melhor.

Dizer adeus é parte do jogo – e isso é triste, mas ao mesmo tempo muito significativo, caso faça da maneira correta.

É um pouco bobo imaginar que um jogo sobre a morte possa servir de consolo, mas Spiritfarer parece algo estranhamente necessário. A morte tem nos assombrado durante esse período de pandemia, se tornando parte do nosso cotidiano, algo que os desenvolvedores do jogo não poderiam prever. E um jogo em que o foco é criar laços e memórias significativas e carinho pelas pessoas, antes que elas estejam prontas para sua passagem poderia ser algo macabro, mas a morte aqui não é apresentada como algo assustador. O jogo na verdade pede que você trate as pessoas com ternura, porque você nunca sabe quando será sua hora, e essa é uma lição de valor incalculável.

Ao jogar Spiritfarer, talvez você sinta uma necessidade de ligar para um amigo, ou fazer algo especial para si mesmo, porque o jogo é um lembrete de que todos precisamos de cuidado e atenção.

Nós temos conexões que podemos construir e cultivar mesmo em tempos de distanciamento social – e isso é importante porque todos nós temos pessoas que amamos na mesma situação. E uma das melhores coisas no jogo, ainda que seja um pouco triste, é que o abraço é uma das formas de criar laços com os espíritos.

Se você procura por algo um pouco mais emocionalmente acalentador, Spiritfarer é uma experiência maravilhosa, especialmente dentro de um ano como o que estamos passando. Além disso, precisamos ressaltar que você vai ter um gatinho do seu lado o tempo todo. Dá pra ser mais perfeito?

Fonte: TheMarySue

Leia mais sobre Spiritfarer aqui no site!

Débora é musicista, professora de artes, pesquisadora de sociologia de gênero. Autoproclamada otaku-não-fedida e gamer casual. A alcunha de Liao veio de um site aleatório de geração de nomes japoneses (Liao é chinês, mas tudo bem).