Garotas Geeks | Among Us está sendo utilizado como “aplicativo de namoro”, e isso é perigoso

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Among Us está sendo utilizado como “aplicativo de namoro”, e isso é perigoso

E bizarro.

Qualquer um que tenha participado de algumas partidas em salas públicas de Among Us pode confirmar: temos um grupo enorme de jovens (pré-adolescentes e adolescentes) que estão utilizando o jogo como plataforma de relacionamentos, e isso por vezes ganha contornos muito estranhos.

Among Us é um game em que os jogadores devem mentir e enganar seus “adversários”, e talvez essa não seja a melhor base para construção de um relacionamento

Os namoros pela internet estão a todo vapor hoje, especialmente, quando relacionamentos presenciais se tornaram inseguros nesse contexto de pandemia. Não é coincidência que aplicativos como Tinder tenham aumentado – e muito – o número de usuários desde o início da pandemia. Com partes da população obrigadas a ficarem dentro de casa, o romance precisa continuar em algum lugar, e nesse momento o lugar é a internet.

O negócio é que boa parte destes jovens são muito novos para aplicativos de relacionamento, e com isso tem buscado métodos alternativos em busca de suas “almas gêmeas”. Ainda que as demonstrações de amor juvenil surjam em um perigoso jogo em que sobreviventes do outro lado da internet podem ser impostores da pior natureza possível.

É difícil apontar de onde surgiu essa ideia de “namoro” em Among Us, mas talvez uma onda recente de memes no TikTok tenha algo a ver com isso. Vários usuários publicaram vídeos flertando com outros jogadores, pedindo o número de seus celulares e então se encontrando na vida real – enquanto outra parte dos usuários publicava finais “inusitados”, em que a outra pessoa também era um garoto procurando namorada. Seja esta ou não a origem da ideia, são muitos os casos de crianças – ou de jogadores fingindo que são crianças – que utilizam o jogo como plataforma de relacionamentos. Muitos jogadores compartilharam experiências do tipo desses “encontros” absolutamente frequentes, e vários destes estão documentados nos subreddits do jogo.

Claro que as publicações no Reddit são leves em comparação às conversas que surgem entre jogadores de Among Us. Muitas dessas interações terminam com jogadores compartilhando redes sociais ou números de telefone (que são compartilhados publicamente entre todos jogadores, já que não existe mensagem privada no jogo). Outras interações acabam se transformando em interpretações inapropriadas que são testemunhadas pelos demais jogadores. E ainda que o jogo tenha como objetivo fazer com que você conheça os outros jogadores a ponto de entender quando eles estão mentindo, é improvável que a InnerSloth esperasse que o jogo fosse utilizado como aplicativo de relacionamentos.

O principal problema com essas interações não é o incômodo e constrangimento causado aos outros jogadores, mas sim o fato de não haver nenhuma maneira de saber quem realmente está do outro lado da conversa. Os jogadores são privilegiados de anonimato total no momento. Hoje não existem perfis ou contas – ainda que a empresa esteja trabalhando para isso. Os jogadores podem utilizar o nome que quiserem durante as partidas, sem qualquer dificuldade para “mudar de identidade”. Eles literalmente podem ser quem quiserem, dentro do jogo. E não é difícil imaginar que a maior parte de quem entra em um jogo do tipo procurando namoro sejam crianças, que não pensam direito quando seus “avanços” são correspondidos. Apesar de estarem mais inteirados da internet do que nunca, muitos deles ainda não são capazes de perceber a presença de predadores sexuais nesses ambientes. E no estado atual, sem cuidado, Among Us pode virar um espaço para ataques contra jovens descuidados.

Talvez, o jogo seja um dos piores lugares que existem para procurar um namoro, afinal um impostor adulto pode fingir ser um adolescente de 14 anos para roubar informações sensíveis sobre crianças.

Portanto, todo cuidado é pouco, para que a diversão não se torne algo perigoso.

Fonte: Screenrant

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Débora é musicista, professora de artes, pesquisadora de sociologia de gênero. Autoproclamada otaku-não-fedida e gamer casual. A alcunha de Liao veio de um site aleatório de geração de nomes japoneses (Liao é chinês, mas tudo bem).