Futura primeira-dama do Brasil já trabalhou em supermercado

Michelle Bolsonaro, futura primeira-dama do Brasil, foi a primeira a adquirir a independência no “clã” familiar, que teve origens humildes e ainda reside em Ceilândia, cidade satélite de Brasília, num casebre a 500 metros de uma boca de fumo. O primeiro trabalho de Michelle, segundo reportagem da revista “ISTOÉ”, foi num supermercado, como expositora de marcas de produtos revendidos. Por ser muito bonita, vestia o uniforme do produto para atrair a atenção dos clientes. Conheceu Bolsonaro na Câmara Federal, onde ela passou a atuar como secretária, mas também fez “bico” numa empresa de animação de festas infantis.

A família de Michelle foi toda credenciada para as cerimônias de posse de Jair Bolsonaro. No papel de primeira-dama, Michelle deseja ter participação ativa no governo, especialmente em projetos ligados à causa dos portadores de deficiência. Ela, inclusive, já entrou em contato com os responsáveis pela transição no governo Temer para se informar sobre o funcionamento da área. Mantém conversas permanentes com a Secretaria de Direitos Humanos e cogita ter uma atuação bem menos discreta que a de Marcela Temer. Fluente em libras, a linguagem de sinais que é utilizada pelos deficientes auditivos, Michelle uniu-se à deputada eleita Joice Hasselmann para deflagrar um projeto em prol dos mais necessitados.

Falando à reportagem de “ISTOÉ”, Michelle Bolsonaro confirmou sua intenção de atuar de forma marcante na área social. “Era algo que eu já fazia antes de me casar com o Jair. Eu tenho um chamado para a ação social. É algo que Deus colocou na minha vida, no meu coração”, enfatizou. Seu pai, Vicente de Paulo, é motorista de ônibus aposentado e casado com Maísa Torres, que é madrasta de Michelle. Vicente e Maísa tocam um pequeno projeto em Ceilândia – uma serigrafia que imprime camisetas para a Igreja Adventista da qual fazem parte. O acesso ao local onde mora Vicente, o pai de Michelle, é feito por um asfalto maltratado pelas chuvas. Recentemente, nos arredores, houve uma tentativa de estupro, o que levou os familiares de Michelle a tomarem cuidado redobrado com a sua segurança.

Para não perder a paz nas recentes eleições, conforme a revista, o casal Vicente-Maísa adotou o comedimento na campanha. A casa de Paulo e Maísa não era identificada com placas nem com cartazes de campanha. Até camiseta com a foto do candidato foi proibida por Paulo. Bolsonaro também não apareceu por lá durante a campanha. A madrasta disse que gostaria de repetir o frango ao molho, preferido de Jair Bolsonaro. Familiares de Michelle falam da sua determinação em materializar causas que abraça. Dizem que ela sempre tomou a frente de tudo. Uma vez, Michelle saiu pedindo dinheiro para reconstruir as casas da Vila dos Carroceiros, que pegou fogo, atingindo a maioria dos moradores. Um dos irmãos, Eduardo Torres, o Dudu, que é cinegrafista e fotógrafo de casamentos, ganha a vida como motorista do aplicativo Uber. Ao que parece, adquiriu, igualmente, a vocação de Bolsonaro. Nas últimas eleições foi candidato a deputado distrital pelo PRP. Não foi eleito, mas teve 2,5 mil votos. Ao ser indagado sobre as causas da derrota ele afirmou: “Deveria ter apostado nas redes sociais. Não pude fazer campanha porque estava trabalhando”.