Família acusa hospital de Campina Grande/PB a registrar morte por Covid-19 sem realização de exame

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Família acusa hospital de CG a registrar morte por Covid-19 sem realização de exame – Foto: Arquivo pessoal/ Reprodução

O atestado de óbito de uma idosa tem gerado questionamentos e revolta no município de Campina Grande, no Agreste paraibano. Maria Pereira, 76 anos, faleceu na última sexta-feira (20), no Hospital Municipal Doutor Edgley Maciel. Segundo o médico que assinou o documento, entre as causas da morte estão choque séptico, sepse (infecção generalizada), infecção do trato gastro intestinal, diabetes mellitus e Covid-19. Contudo, a família contesta a declaração do hospital de que ela foi vítima da doença causada pelo novo coronavírus.

De acordo com a neta de Maria Pereira, a idosa tinha diabetes e insuficiência renal. “Em setembro, minha avó havia feito uma cirurgia para amputar a perna. Durante os exames, descobriu que estava com Covid-19, no Hospital João XXIII. Ela foi tratada e curada da doença. Temos provas disso porque ela fez prova e contra prova para poder receber alta do hospital”, revelou.

Conforme a neta, na última semana, Maria teve alteração na diabetes e infecção intestinal. Após ser internada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), ela foi transferida para o Hospital Municipal Doutor Edgley Maciel, onde ficou internada durante quatro dias. “Até o dia anterior à morte, minha avó estava com acompanhante. Os médicos solicitaram autorização para encaminhá-la à UTI, afirmando que ela precisava ser monitorada por aparelhos”.

Na sexta-feira (20), Maria Pereira não resistiu e faleceu. “Nós já sabíamos que essa notícia chegaria porque a situação era grave. Porém, no atestado de óbito, além de colocar todas as doenças que ela tinha, o hospital acrescentou a Covid-19. A família sabia que não poderia ser isso, já que ela teve há dois meses e foi curada. Não havia condições de ter contraído a doença novamente”, explicou.

Os familiares solicitaram ao hospital o exame que comprova que o paciente estava infectado pelo novo coronavírus, mas a resposta dada pela unidade de saúde causou revolta e indignação. “O hospital alegou que não fez exame de sangue e que havia realizado apenas um teste rápido, cujo resultado foi perdido. Ou seja, o hospital não teve capacidade de fazer um exame para comprovar o que estava sendo colocado no laudo. Por conta disso, perdemos o direito de dar um velório digno à minha avó”, lamentou a neta.

Ainda segundo ela, quando uma tia foi ao hospital em busca do exame, o médico disse que o Hospital Doutor Edgley havia errado cometido um erro e que a família tinha todo o direito de recorrer à Justiça. “O hospital está colocando Covid-19 no óbito de várias pessoas sem fazer exames ou justificar [a causa da morte]. Queremos justiça para que isso não ocorra com outras famílias”, finalizou.