Conselho Fiscal sugere reprovação de contas do Santos em 2017; veja motivos

Conselho Fiscal sugere reprovação de contas de Modesto (Foto: Divulgação/ Santos FC)

O Conselho Fiscal recomenda a reprovação das contas do Santos de 2017, quando o clube ainda era dirigido pelo ex-presidente Modesto Roma. O relatório obtido pela Gazeta Esportiva foi enviado aos conselheiros e a votação será feita em uma reunião marcada para a próxima segunda-feira à noite, na Vila Belmiro, com a presença de José Carlos Peres.

“De forma unânime, este Conselho Fiscal entende que o relato impede a aprovação das contas que compõem o balanço patrimonial, e recomenda a reprovação dos membros do Conselho Deliberativo”, diz o parecer do conselho.

Dentre outros motivos para a sugestão de reprovação das contas, o CF cita o endividamento, incluindo impostos, antecipação de receitas e ligações suspeitas com empresários. Veja os tópicos abaixo, em detalhes.

Endividamento

O limite de endividamento, de acordo com o Estatuto, não pode ultrapassar 10% da receita orçada. O endividamento em 2017 foi de quase R$ 50 milhões, equivalente a 15,57%, mais do que o permitido.

Relação com empresários

Alguns contratos suspeitos foram encaminhados aos conselheiros. Há a reclamação sobre Giuliano Bertolucci, que, ao mesmo tempo, detinha direitos econômicos de jogadores e financiava empréstimos com garantias nos próprios direitos de atletas.

Luiz Taveira também foi citado. No primeiro semestre de 2017, o Conselho Fiscal sugeriu o fim de pagamentos ao empresário. A recomendação não foi seguida e o agente recebeu cerca de R$ 440 mil entre agosto e outubro por intermediações.

Negociações perigosas

Thiago Maia foi vendido por 14 milhões de euros ao Lille-FRA. O Santos ficaria com 70% (9,8 milhões), mas não pagou os 30% restantes aos intermediários. A dívida de R$ 14,5 milhões foi lançada no relatório.

E em dezembro, o Santos comprou 10% dos direitos econômicos de Alison por R$ 800 mil em quatro parcelas entre 2018 e 2019. A divisão do volante era 70% para o Peixe, 20% para o Unique e 10% para o jogador. O problema é que no acordo com o empresário Giuliano Bertolucci, a Unique é “esquecida” e o alvinegro aparece com 100%. Outra falha foi ter negociado direitos nos três meses finais do mandato, o que é proibido pelo estatuto.

Folha de funcionários

O Conselho registrou variações entre a quantidade de funcionários e os valores em salários. Além disso, no elenco profissional, por exemplo, a folha foi de 4,8 milhões para R$ 6,9 milhões entre 30/11/2016 e 30/11/2017.

Processos

Em dezembro de 2017, o Santos respondia a 99 processos – 56 trabalhistas e 43 cíveis, com uma avaliação de perda de R$ 15 milhões em ativos.

Material esportivo

O Santos teve receita de cerca de R$ 2,5 milhões com os uniformes, bem menos do que a previsão de R$ 7,7 milhões. Oito mil kits de vestuário infantil não foram entregues ao clube.

Dívida com impostos

Conforme a Gazeta Esportiva publicou com exclusividade, o Conselho Fiscal documentou atrasos no pagamento de impostos. A retenção poderia caracterizar crime de apropriação indébita.

Acordo com a Doyen

O relatório confirma o acordo feito por Modesto Roma com a Doyen Sports, empresa de investimento em futebol. O valor foi de cerca de 20 milhões de euros. Há duas parcelas de cinco milhões de euros para setembro de 2018 e de 2019. Em caso de atraso, a multa é de 10 milhões de euros. O Peixe ainda autorizou o fundo a representar o clube em transferências de atletas na Europa até 31 de dezembro de 2019.

Antecipação de receitas e empréstimo

No ano passado, o Santos antecipou aproximadamente R$ 10 milhões em valores do Campeonato Paulista de 2018. E em dezembro, com anuência de José Carlos Peres e Orlando Rollo, o Peixe fez um empréstimo de R$ 5 milhões junto ao Banco Itaú, a ser pago em 12 parcelas, com garantia de créditos futuros da Globosat.