como o Fed ajudou o Ibovespa a não cair nesta quinta

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Este texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: 0% (100.623 pontos)

Dólar: -0,6% (R$ 5,57)

Casos de coronavírus: 3.731.022 confirmados e 117.996 mortes*

Resumo:

  • Depois de muita volatilidade, Bolsa empaca no zero a zero;
  • mercado financeiro ainda repercute “não” de Bolsonaro a projeto de Guedes para Renda Brasil; há preocupação com o teto de gastos e com as contas públicas;
  • juros zero no banco central dos EUA ajudam a segurar Ibovespa;
  • Brasil já perdeu mais de 117 mil vidas para o coronavírus; casos ultrapassam 3,7 milhões;
  • 4,4 milhões de lares sobreviveram só com auxílio emergencial em julho.

Em mais um dia de dúvidas sobre a situação das contas do País e um bocado de volatilidade, a Bolsa fechou empacada nesta quinta-feira (27). O pregão abriu animado com o discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (o Fed, banco central estadunidense).

Na fala, Powell afirmou que as taxas de juros nos Estados Unidos devem continuar zeradas ainda por alguns anos. Para tanto, o Fed terá maior tolerância à inflação – com uma meta média de 2% ao longo do tempo. O foco é a geração de emprego: “Podemos ter um mercado de trabalho robusto sem uma disparada na inflação”, disse Powell, em um anúncio que foi visto como uma mudança importante na política monetária dos EUA.

Já explicamos por aqui que, em políticas monetárias, um jeito muito usado para controlar a inflação é elevar a taxa de juros. Aqui, o banco central dos EUA decide aceitar mais inflação para permitir que os juros baixos sigam a estimular a economia.

Juros tão baixos aumentam o apetite a risco dos que investem nas bolsas de Nova York, o que ajudou a acelerar os ganhos por lá. O Ibovespa, principal índice da B3, foi no embalo – pelo menos por um tempo –, mas logo a volatilidade voltou.

Sim, o mercado financeiro por aqui segue preocupado com a “fritura” que Bolsonaro expõe Paulo Guedes, ministro da Economia. Ele, por sua vez, tem até sexta-feira para apresentar um novo projeto para o Renda Brasil – pivô da discordância entre presidente e ministro, conforme contamos aqui. Há aquele pensamento no ar: será que Guedes se segura no cargo?

Como o petróleo e minério de ferro sofreram queda nos preços no mercado internacional, Petrobras e Vale também sentiram o baque. Já as ações do setor financeiro, incluindo dos bancões, seguraram as pontas e fecharam em alta.

Já o dólar ficou ligeiramente mais barato ante ao real depois do susto de ontem, quando o “não” de Bolsonaro fez a moeda subir 1,52%.

4,4 milhões de lares sobreviveram só com auxílio emergencial em julho

Aproximadamente 6,5% dos domicílios brasileiros, o equivale a cerca de 4,4 milhões, sobreviveram no mês de julho usando apenas os recursos do Auxílio Emergencial. A informação faz parte de um estudo divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O valor depositado foi equivalente a 124% dos rendimentos habituais dos lares mais pobres. Já entre as pessoas que permaneceram ocupadas, a ajuda foi suficiente para superar em 16% a perda da massa salarial.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores usaram como base a Pnad Covid19, versão da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua feita com apoio do Ministério da Saúde.

“Pela primeira vez, desde o início da pandemia, o auxílio emergencial compensa em média mais que a diferença entre a renda efetiva e a habitual. Ou seja, entre os que permaneceram empregados, a renda média com o auxílio já é maior do que seria habitualmente”, disse, em nota, o economista Sandro Sacchet, autor da pesquisa batizada “Os efeitos da pandemia sobre os rendimentos do trabalho e o impacto do auxílio emergencial: os resultados dos microdados da PNAD Covid-19 de julho.”

*Até o fechamento do texto. Fonte: levantamento feito por jornalistas de G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde

Fotos: AdobeStock

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