Clarence elegeu-se prefeito de Sousa com o reforço da sublegenda

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Clarence elegeu se prefeito de Sousa com o reforço da sublegenda
Clarence elegeu se prefeito de Sousa com o reforço da sublegenda

O médico e ex-deputado estadual Clarence Pires de Sá, tio do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), que faleceu no fim de semana, na Capital, aos 86 anos, tendo sido sepultado ontem, foi prefeito da cidade de Sousa, no sertão paraibano, em duas ocasiões: a primeira, em 1968, quando se valeu da sublegenda para reforçar os votos e derrotou Marcondes Gadelha, e a segunda em 1976, tendo renunciado na metade do mandato. No livro “História Política de Sousa – 1945-2004”, o falecido desembargador federal e ex-deputado estadual Paulo de Tasso Benevides Gadelha descreve as campanhas memoráveis de que sua família participou, com aliados, na “cidade sorriso” e menciona os embates com Clarence, que era vinculado ao grupo político do ex-governador Antônio Mariz.

“A campanha de 1968 em Sousa foi a primeira com modernos recursos visuais e técnica de mobilização de massa”, relata Paulo Gadelha. O grupo político chefiado pelo então prefeito Antônio Mariz, que sofrera uma derrota expressiva nas eleições de 1966, estava sem condições de disputar o pleito contra as forças chefiadas pelo então deputado federal e usineiro José de Paiva Gadelha. O motivo era simples: a então Arena não tinha quadros competitivos e, para suprir a deficiência, foi buscar nomes no MDB, que, segundo Paulo, era pródigo em grandes valores. Clarence, um conceituado médico, membro de histórica família sousense, filho do farmacêutico Thomaz Pires dos Santos, chefe pessedista, foi convencido a deixar o MDB e sair candidato a prefeito pela Arena. Marcondes foi o mais votado ao final do pleito, a 15 de novembro de 68 – obteve 8.505 votos, tendo como vice José Neves Moreira, mas Clarence, que tinha como vice Augusto Gonçalves e alcançou 8.107 votos pela Arena-1, ganhou a injeção de mais 724 sufrágios obtidos pelo candidato da Arena-2, Geraldo Sarmento, que tinha como vice José Pordeus e Silva (Zu Silva).

A eleição para prefeito de Sousa em 68, conforme relatou Paulo Gadelha, passou a ser a grande preocupação do então governador João Agripino, que a tomou como questão de honra para “derrotar o filho de Zé Gadelha”. Todos os comícios da Arena, prossegue Paulo, eram uma ostensiva demonstração de poder, com um time de secretários do governo da Paraíba desfilando pela cidade, “fazendo proselitismo, ameaçando comerciantes, nomeando sem concurso, num absurdo festival de arrogância política”. O país vivia sob a égide da ditadura militar, a chamada “revolução” instaurada em 1964 e que perdurou até 1985. “Foi uma campanha extremamente desigual, mas possibilitou a Marcondes ir à luta e pregar uma revolução na metodologia política sousense”, narra Paulo Gadelha. Marcondes inovou com a “vigília da esperança”, em que o comício iniciava às 20h e terminava no dia seguinte, às 8h da manhã, além de promover passeata-monstro dos cavalos, que chegou a juntar cerca de 6.000 animais.

Em 1976, o MDB decidiu fazer uso da sublegenda. Lançou o deputado estadual Laércio Pires como candidato a prefeito, tendo o médico Nicodemos de Paiva Gadelha como vice, pela sublegenda 1; pela sublegenda 2, foram homologados Raimundo (Doca) Benevides Gadelha a prefeito e Jonas Abrantes  a vice. Uma coincidência não passou desapercebida: Laércio e Nicodemos, do MDB-1, eram médicos; Doca e Jonas, do MDB-2, eram advogados. Na Arena, sob o comando de Mariz, Clarence Pires encabeçou a chapa a prefeito tendo como vice Sinval Gonçalves Ribeiro. A sublegenda 2 da Arena, liderada pelo industrial Luís Pereira de Oliveira e médico Augusto Gonçalves Abrantes, indicou os nomes do deputado Ananias Pordeus Gadelha para prefeito e de Francisco Gonçalves da Silva para vice. Venceu a Arena, partido oficial, com este resultado: Clarence Pires-Sinval – 7.890 votos, Ananias Gadelha-Francisco Gonçalves da Silva – 3.651 votos. Pelo MDB, Laércio Pires obteve 6.781 enquanto Doca Gadelha alcançou 3.955 sufrágios. A disputa foi equilibradíssima, como demonstram os resultados. Na metade da sua administração, o prefeito Clarence Pires renuncia ao mandato, sendo substituído pelo vice-prefeito Sinval Gonçalves Ribeiro. As exéquias do doutor Clarence Pires, no final de semana, atraíram a presença de figuras ilustres da cidade de Sousa, e os depoimentos expressaram a operosidade administrativa e a solidariedade com as camadas carentes, que o ex-prefeito Clarence Pires simbolizou.

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