Cássio avalia causas de “tsunami eleitoral” para definir rumos do “clã”

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Cássio avalia causas de “tsunami eleitoral” para definir rumos do “clã”
Cássio avalia causas de “tsunami eleitoral” para definir rumos do “clã”

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) tem dito a interlocutores políticos na Paraíba que ainda está avaliando as verdadeiras causas do que chama de “tsunami” eleitoral enfrentado por ele e pelo filho no pleito deste ano para, só então, decidir os rumos do “clã” na política de 2019 em diante. Cássio ainda se mostra perplexo com a sua derrota na campanha pela reeleição, ficando em quarto lugar no páreo, abaixo de Veneziano Vital (PSB), Daniella Ribeiro (PP) e Luiz Couto (PT), mas também ficou intrigado com a sangria de votos experimentada pelo filho, o deputado Pedro Cunha Lima, que viu migrarem cerca de cem mil votos do patrimônio que vinha consolidando.

Pedro, inclusive, destacou-se na análise rigorosa de sites noticiosos e publicações que formam a mídia de opinião nacional pelas atitudes independentes e por exemplos concretos de renúncia a mordomias ou outras vantagens inerentes ao mandato, perfilando junto a expoentes de uma nova geração disposta a mudar costumes enraizados no cenário político brasileiro. Analistas políticos na Paraíba atribuem a baixa performance de Pedro nas urnas, este ano, a deslocamentos como um todo da cena que emergiu em 2018, em que caciques e “renovadores” foram penalizados, mas um componente adicional que pesou contra ele terá sido a falta de contato maior com segmentos do eleitorado do Estado onde é votado, além da exibição de um “viés poético” que não comoveu idealistas numa conjuntura que tem sido pontuada pelo pragmatismo, por parte do próprio eleitor.

Num primeiro momento, Cássio tem se colocado à disposição do PSDB para reorganizar o partido no Estado, em vias de perder quadros como o próprio prefeito reeleito de Campina Grande, Romero Rodrigues, primo do senador, cuja mulher Micheline foi candidata a vice-governadora na chapa encabeçada por Lucélio Cartaxo (PV), derrotada pela chapa João Azevedo-Lígia Feliciano. Romero já adiantara, em plena campanha eleitoral, tratativas com o agora presidente diplomado Jair Bolsonaro (PSL) para zarpar do PSDB rumo a outra sigla ainda não definida mas situada no arco das forças que pretendem dar sustentação ao sucessor de Michel Temer no Palácio do Planalto. Esse propósito está mantido, até por razões estratégicas – Romero tem promessas de apoio administrativo do futuro governo federal, que compensarão possíveis retaliações ou negativas de colaboração da parte do governo de Azevedo (PSB).

No que diz respeito ao senador Cássio, as versões sinalizam que, em contraste com a “debàcle” eleitoral na Paraíba, ele se mantém em alta cotação no ninho tucano nacional, podendo vir a ascender a postos de comando no âmbito partidário, sucedendo a figuras carimbadas, provenientes, em geral, da seção paulista, berço do PSDB, que eclodiu como uma “costela” do antigo PMDB. Nomes como o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de Geraldo Alckmin e José Serra caíram em desgraça dentro do ninho tucano, sobressaindo-se apenas João Doria, que logrou construir carreira meteórica vitoriosa, saltando da prefeitura de São Paulo para o governo do Estado, apesar do perfil de “outsider” político – ou, justamente, por causa dele. Cássio, que esteve na linha de frente da ação parlamentar pró-impeachment de Dilma Rousseff e, a nível estadual, entrou na alça de mira do governador Ricardo Coutinho, um ex-aliado seu, poderá tentar a voltar ao cenário político pela prefeitura de Campina Grande, para a qual se elegeu por três vezes. Mesmo nessa hipótese (de vir a concorrer) terá que “combinar” os ponteiros com o prefeito Romero Rodrigues, cacifado para bancar o sucessor na Rainha da Borborema.

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