Calvície na moda? Conheça história por trás do corte de cabelo ‘Calvão de Cria’

Também chamado de “Calvão”, o corte surgiu no sul do Brasil e viralizou nas redes sociais, principalmente no TikTok. Ao simular uma calvície, ilustra o oposto do que se costuma fazer em uma barbearia, deixando o topo da cabeça exposto e os lados com cabelo.

Mas antes de ser uma moda, de fato, esse estilo é uma zoação, conforme explica Patricia Sant’Anna, pesquisadora de tendências na Tendere.

“Acabou viralizando sua visualidade pela internet, mas isso não significa que há muitas pessoas em todo o Brasil aderindo. Tem muita gente vendo, isso é verdade”, afirma.

Para a especialista, essa é uma trend saudável, uma vez que os jovens brincam com um dos maiores medos dos homens.

“O cabelo não é só uma proteção contra o frio, mas também serve como um adorno sexual”, acrescenta Rodrigo Brunetti, CEO da Manual, que oferece tratamento contra a calvície.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa condição atinge cerca da metade dos homens até os 50 anos de idade. Como é herança genética tanto do pai quanto da mãe, esses genes aumentam a sensibilidade dos folículos capilares ao hormônio DHT (Dihidrotestosterona).

Em contato com os fios, esse hormônio afina-os e leva ao desenvolvimento da calvície. Embora não tenha cura para a calvície, há tratamentos tópicos e orais com eficácia já comprovada.

Foi pensando em valorizar a autoestima do calvo que o barbeiro Marcio Campos começou a fazer os primeiros cortes do tipo “Calvão” na cidade de Três Passos/RS.

“Minha inspiração sempre foi pensando na autoestima de quem é calvo, de se aceitar, pois é um grande problema para alguns homens e para mulheres também”, afirma o barbeiro.

O primeiro corte que ele fez foi em um menino e viralizou. Depois, ele decidiu fazer em um cabelo maior.

Mai Andressa é a modelo que aparece no vídeo citado no começo do texto. Em entrevista ao Terra, ela conta que viu no desafio uma oportunidade de mostrar às pessoas que elas são lindas com qualquer corte de cabelo.

“Eu queria mostrar a todos a minha felicidade por ter me aceitado e aprendido, depois de muitos anos de sofrimento, a me amar e enxergar a minha beleza”, acrescenta. 

Essa quebra de padrões já vem sendo observada por pesquisadores como Patricia Sant’Anna. Para ela, o corte “Calvão” ainda é um modismo, ou seja, apenas um sinal local de reação às tendências internacionais. Se ele irá fazer mais cabeças pelo Brasil ou pelo mundo, bom, só o tempo dirá.

“As regras de o que podemos ou não usar já caíram há algum tempo, especialmente para a geração Z, que gosta muito de fluir entre os gêneros sem nenhum problema. Se uma mulher (cis ou trans) desejar usar os cabelos assim, não há porque não usar”, resume a pesquisadora.