Bolsonaro causa terror nas redações e provoca demissão de jornalistas em emissoras de rádio e TV

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Jair Bolsonaro é crítico da grande imprensa, à exceção do SBT, Record e da Jovem Pan (Foto: Gabriel Cardoso/SBT)
Jair Bolsonaro é crítico da grande imprensa, à exceção do SBT, Record e da Jovem Pan (Foto: Gabriel Cardoso/SBT)

Não tem muito tempo e imperava no Brasil uma onda de críticas aos governos do PT, expresso nos dois ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, e um receio de que o país se tornasse a nova Cuba, cujos indícios perpassariam desde uma censura à imprensa à implantação do comunismo no país. Curiosamente, a censura nas redações dos jornais brasileiros chegou agora, em 2019, após a eleição do presidente Jair Bolsonaro.

Crítico ferrenho da grande imprensa brasileira, a chamada mídia tradicional, Jair Bolsonaro, ainda durante a campanha para a presidência, e imediatamente após sua eleição, escolheu a dedo seus “aliados”, como a Record, do bispo Edir Macedo, o SBT, do empresário Silvio Santos e uma das maiores emissoras de rádio do país, a Jovem Pan – veículos aos quais o político do PSL não costuma recusar entrevistas, por exemplo.

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Concomitantemente, Bolsonaro também elegeu seus “rivais”, aqueles que se tornaram principais alvos dos bolsonaristas, e aos quais foram feitas campanhas para cancelamento de assinatura, e a quem o próprio Bolsonaro fez ameaças publicamente, prometendo cortes publicitários, como a Folha de S.Paulo, maior jornal impresso do país, O Estado de S.Paulo, a TV Globo e alguns de seus impressos, o portal UOL e até mesmo a revista de direita Veja.

Paulo Henrique Amorim e Raquel Sheherazade são punidos por criticaram Bolsonaro e âncora da Band sai em defesa
Paulo Henrique Amorim e Raquel Sheherazade são punidos por criticaram Bolsonaro e âncora da Band sai em defesa (Reprodução)

De fato mesmo é o que o caos se espalhou nas redações das empresas “benquistas” por Bolsonaro, e as críticas ao presidente estão vedadas, sob o risco de demissão.

Na Jovem Pan, por exemplo, o historiador e comentarista político Marco Antonio Villa, que ousou criticar Bolsonaro, foi desligado da rádio, depois de ser suspenso por 30 dias pela própria direção da emissora.

“Eu decidi que não queria mais voltar para a Pan. Não tinha mais nem condições de voltar a trabalhar lá. Senti que não havia mais clima depois de me darem uma quase punição”, disse ele ao UOL, após ser afastado de suas funções por criticar o governo Bolsonaro.

Marco Antonio Villa se destacou no país por suas críticas ferrenhas ao Partido dos Trabalhadores e por se manifestar de maneira favorável ao impeachment de Dilma Rousseff. Não demorou muito, e o historiador garantiu seu espaço como comentarista político na Jovem Pan.

“Eu sempre tive a postura crítica em relação aos quatro últimos governos: Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. Isso incomoda o nosso poder. O poder nunca gostou de críticas”, completou Villa, que nunca chegou a ser suspenso de suas funções por tecer críticas aos governos petistas ou de Temer, por exemplo.

Em comunicado, a Jovem Pan negou que tenha demitido Villa por determinação de Jair Bolsonaro e disse que o historiador estava de férias no período em que se ausentou da rádio. Villa, por sua vez, negou que tenha saído de férias, desmentindo sua antiga empregadora.

Villa não foi o primeiro contratado da Jovem Pan demitido por tecer críticas a Jair Bolsonaro. O humorista Marcelo Madureira também perdeu emprego na emissora de rádio ainda no ano passado, após assinar um manifesto em favor da democracia e contra o hoje presidente. Na ocasião, a JP não se pronunciou sobre o desligamento de Marcelo Madureira, que afirmou não saber o porquê de sua demissão da empresa.

Outro grande crítico do presidente Jair Bolsonaro e de seu principal ministro, Sergio Moro, Paulo Henrique Amorim foi oficialmente afastado da revista eletrônica “Domingo Espetacular”, da Rede Record, após 14 anos ininterruptos à frente do programa dominical.

Paulo Henrique Amorim nunca escondeu suas tendências esquerdistas, seu apoio ao ex-presidente Lula, tampouco sua ojeriza a Bolsonaro e Sergio Moro. O jornalista segue contratado da Record, com quem tem contrato até 2021. Não se sabe ainda o que ele fará no canal do bispo Edir Macedo, mas seu afastamento é um indício de rebaixamento na emissora.

Em nota, a Record informou que quem assumirá o posto até então ocupado por Paulo Henrique Amorim será Eduardo Ribeiro, que foi o primeiro jornalista da emissora a entrevistar o presidente Jair Bolsonaro, em uma entrevista exclusiva logo depois do pleito final das eleições presidenciais de 2018.

“As mudanças fazem parte do processo de reformulação do jornalismo da Record TV, que está sendo implementado pelo vice-presidente de jornalismo da Record TV, Antonio Guerreiro, desde janeiro deste ano”, diz o comunicado da empresa do bispo Macedo.

Moro e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)
Sergio Moro e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)

Rosto bastante conhecido do jornalismo brasileiro, Rachel Sheherazade também pode estar com os dias de contrato com o SBT contados. Isso porque um dos principais apoiadores da campanha de Jair Bolsonaro, bem como patrocinador de vários programas do SBT, o empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, pediu publicamente a Silvio Santos a demissão da jornalista, que tem feito críticas contundentes à gestão do governo Bolsonaro, bem como aos filhos do presidente – um deles, Flávio Bolsonaro está sendo acusado pelo Ministério Público de chefiar uma organização criminosa criada em 2009.

Até o momento, Rachel permanece no quadro de funcionários do SBT e avisou que irá acionar a Justiça contra Luciano. Vale ressaltar que, recentemente, Silvio Santos promoveu um corte drástico no setor de jornalismo do canal, e foi congratulado por bolsonaristas.

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Através do Twitter, o jornalista Fabio Pannunzio demonstrou solidariedade aos seus colegas de profissão. “Não tenho nenhum apreço pelo jornalismo do Paulo Henrique Amorim, a quem tenho criticado nos últimos dez anos. Mas a demissão dele é brutal e brutal e inaceitável, produto do marcartismo bolsonarista que já vitimou Marco Antonio Villa, Marcelo Madureira e ameaça a Rachel Sheherazade”, escreveu.

José Simões foi mais um nome que se manifestou contra os cortes daqueles que são críticos a Bolsonaro e fez uso da ironia para comentar as demissões de seus colegas.

“Cuba Urgente! Coréia do Norte News! Véio da Havan manda no Sistema Bozo de Televisão e pede a cabeça de Sherazade. Record afasta Paulo Henrique Amorim sob pressão bolsonarista”, tuitou.

De maneira sucinta, sem tecer uma opinião propriamente dita, a colunista da Folha, Mônica Bergamo resumiu o quadro da censura. Marco Antonio Villa é afastado da Jovem Pan; Paulo Henrique Amorim é afastado da Record; Raquel Scheherazade, do SBT, é ameaçada por patrocinador bolsonarista.

 

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