Aumento nos juros do cartão do crédito: Saiba como migrar sua dívida para taxas melhores

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A Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (ANEFAC) anunciou na semana passada que as taxas de juros do cartão de crédito e do cheque especial tiveram alta pelo segundo mês consecutivo. Com a notícia, muitos brasileiros devem procurar outras alternativas fora das principais modalidades de crédito.

Segundo estudo da associação de Defesa do Consumidor Proteste, as taxas de juros do cartão de crédito são as maiores do mercado. Se você contraiu dívidas em uma dessas modalidades, a saída pode ser fazer a portabilidade de crédito, transferindo sua dívida para outra modalidade ou até mesmo para outro banco com taxas menores.

De acordo com o economista Alexandre Prado, é necessário primeiramente compreender quais são suas dívidas. “O ideal é ter em mente que dívidas não são todas ruins, mas sempre procurar ter débitos mais baratos. Caso esteja pesando muito no orçamento, a portabilidade pode ser o caminho para esse consumidor”, explicou.

O processo de portabilidade nada mais é do que a transferência de uma dívida de empréstimo de um banco para outro, sendo possível a qualquer momento, desde que o contratante não concorde com a qualidade do atendimento ou com as taxas de juros.

“Qualquer tipo de empréstimo ou financiamento entra no leque da portabilidade de crédito: cheque especial, crédito consignado, crédito pessoal, financiamento de veículo ou imóvel, entre outros”, disse o economista.

Como fazer a portabilidade

O primeiro passo sugerido por Prado é reunir todas as informações sobre as dívidas, comparar as condições com outras existentes no mercado, entrar em contato com o banco e fazer uma proposta de portabilidade. Além disso, é imprescindível conhecer as tarifas praticadas pela instituição financeira.

A melhor maneira de fazer isso é solicitar todas as informações sobre a dívida junto à instituição atual, para dessa forma descobrir se a portabilidade vale a pena. Veja alguns dados que o devedor deve reunir:

  • Número do contrato;
  • Saldo devedor atualizado;
  • Demonstrativo da evolução do saldo devedor;
  • Sistema de pagamento;
  • Modalidade de crédito;
  • Taxa de juros anual (nominal e efetiva);
  • Valor de cada prestação (valor principal e encargos);
  • Prazo total e remanescente; e
  • Data do último vencimento da operação.

Previsão para as taxas de juros

Só no último mês, a taxa de juros média geral para pessoa física subiu 0,05%, o que corresponde a 1,09% no ano. Isso elevou seu valor para 5,61% ao mês (92,51% ao ano) em janeiro de 2021, maior patamar desde de julho do ano passado.

Tal disparada pode ser resultado do aumento dos juros futuros, da previsão de novos aumentos na taxa básica de juros (Selic) frente a uma inflação maior, e da prevista elevação dos níveis de inadimplência, avaliou Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente de estudos e pesquisas da Anefac.

“Essa provável inadimplência pode ocorrer por causa do fim das carências nos empréstimos (pausas e carência nas negociações de dívidas), ao desemprego elevado (fim do pagamento dos auxílios emergenciais, ao aumento da inflação e seus efeitos na renda, e, por fim, a maior seletividade dos bancos na concessão de crédito”, afirmou.

A expectativa de Oliveira para os próximos meses é que a tendência de elevação continue, tendo em vista a degradação do cenário econômico com maior risco de crédito e o aumento da inadimplência.

“Mas algumas ações do Banco Central podem amenizar estas altas como redução de impostos, compulsórios e reduções da Taxa Básica de Juros”, concluiu.

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