Atropelos impediram Lúcia de governar a Capital e de ser governadora

A ex-deputada Lúcia Braga, que praticamente deu adeus à disputa de cargos eletivos, junto com o marido, Wilson Braga, ex-governador do Estado, teve a chance de se eleger prefeita de João Pessoa e foi páreo duro para o governo, mas incidentes pessoais e políticos conspiraram para que as duas oportunidades fossem desperdiçadas, deixando uma aura de frustração entre eleitores e simpatizantes e privando o seu currículo de duas anotações importantes. Em 1988, Lúcia, que era deputada federal constituinte, tinha amplas chances de vitória como candidata a prefeita da Capital pelo PFL, mas desistiu de concorrer em virtude de uma tragédia – o acidente automobilístico que vitimou sua filha Patrícia na cidade de Alfenas, Minas Gerais e a imobilizou por vários anos, até o desfecho lamentável. A pretensa candidatura caminhava, também, para enfrentar embaraços jurídicos movidos pelos adversários. Lúcia desistiu da parada.

Em seu lugar, concorreu o marido Wilson, que ganhou as eleições com apenas quarenta e cinco dias de campanha. Lúcia conta, em livro, que sofreu pressões para manter a candidatura. Oswaldo Trigueiro, seu suplente de deputado federal, chegou a visitá-la em hospital em São Paulo, onde acompanhava Patrícia, levando modelos de marketing político. “Não queria nem podia conversar sobre política. Retirei-me da sala de espera da UTI, abalada e aos prantos, pois não me sentia em condições psíquicas para enfrentar o assunto, considerado inoportuno, dadas as circunstâncias”, relatou. Conforme ela, “Wilson fez uma grande administração em João Pessoa, mas não pude participar como desejava”. Em 1990, Lúcia foi eleita, mais uma vez para a Câmara Federal. Wilson perdeu a eleição ao governo do Estado, no segundo turno, para Ronaldo Cunha Lima, então no PMDB.

Em 1994, os “fados” colocaram Lúcia na disputa pelo governo do Estado, frente a Antônio Mariz, com quem havia se aliado em discussões e algumas votações de matérias relevantes na Assembleia Nacional Constituinte. “Perdi essas eleições sofrendo toda sorte de agressões e difamações, numa campanha desleal e sem ética, agravada pela violência do Sistema Correio da Paraíba, quando o referencial “mulher” foi alvo de preconceito e discriminação”, depôs Lúcia no livro “Tempo de Viver, Tempo de Contar”. Em plena campanha estourou o escândalo de carros roubados que teriam sido distribuídos pelo candidato Gessner Caetano, do PDT, com vários candidatos do PMDB e alguns candidatos pedetistas (Lúcia, a esta altura, estava filiada ao PDT, com ficha de filiação abonada em João Pessoa por Leonel Brizola”. Lúcia isenta Mariz de responsabilidade pelos expedientes usados contra ela, destacando a postura ética que caracterizava a sua atuação.

Mariz não teve condições de saúde para governar, tendo que se submeter a tratamentos médicos constantes, vindo a falecer em setembro de 1995 na Granja Santana, residência oficial de governadores da Paraíba. Lúcia Braga fez da tribuna da Câmara um pronunciamento sobre as eleições de 1994. Solidarizou-se com a família de Mariz e com a Paraíba por ocasião da sua morte. “Antônio Mariz possuía um ideário afim com minhas convicções. Por isso sempre o respeitei e admirei, e sei o quanto desejou que eu formasse fileiras ao seu lado”. O governo do Estado foi assumido por José Maranhão, que havia sido escolhido diretamente por Mariz para ser seu companheiro de chapa.

Por Nonato Guedes