Análise de Minecraft Dungeons: Hero Edition (PS4)

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O mais recente jogo da co-autoria da Mojang Stockholm, Mohang Shanghai e da Double Eleven, o Minecraft Dungeons é um título baseado no original da série, o Minecraft — o famoso e aclamado modelo que revolucionou o estilo sandbox em todo mundo. Minecraft Dungeons: Hero Edition foi publicado no passado dia 26 de maio de 2020 pela Xbox Game Studios (responsável pela Mojang), estando disponível para Windows, Nintendo Switch, Xbox One e PlayStation 4.

Alvo de alguma controvérsia, este videojogo aborda o estilo dungeon crawler, ou seja, um jogo role-play de fantasia que aborda a temática de masmorras e calabouços — tão famoso local de exploração no título original —, e que ganha enfâse em jogo próprio, numa tentativa de expandir a influência no mercado dos videojogos. Reconhecemos-lhes o mérito por conseguirem algo diferente, mas sem comprometer a essência.

O título não foi recebido das mesma maneira por todos os meios, no entanto, as opiniões são dispares: por um lado, reconhecem-se-lhes a diversão inerente, por outro, o fraco conteúdo em matéria narrativa. Mas nem por isso concordamos exclusivamente com uma das partes. Confira a nossa análise a este título familiar e de certo modo, introdutório a toda uma temática Minecraft.

História in-game

Dungeons coloca-nos pela frente Archie, um Illager — um tipo de mob hostil que surge regularmente em edificações na floresta, patrulhas, ou até em raides — no Minecraft. Archie é um renegado, é escorraçado da sua aldeia, obrigando-se a vaguear para longe, tão longe que acaba no meio de uma floresta — onde achava que finalmente podia desparecer; entretanto, certo dia, este Illager depara-se com um artefacto apelidado de “Orb of Dominance” — que é nada mais, nada menos que um pequeno objeto capaz de proporcionar os poderes de controlar tudo e todos.

Isto são notícias para o “nosso amigo”. Sedento de vingança, Archie deixa-se corromper pelo poder e decide vingar-se de todos aqueles que nunca o reconheceram — Arch-Illager, apercebera-se agora que podia controlar tudo e todos; ele e o seu exército pessoal.

O jogo coloca-nos na posição de herói, sozinho ou em conjunto, o plano é derrotar várias masmorras e inimigos invocados até chegar ao agora maligno Illager. Este exército bem equipado não deverá ser grande ameaça para o nosso destemido personagem. Repleto de modestas armas corpo-a-corpo e de longo alcance “encantadas” a preceito, deverá lutar contra diversas vagas de inimigos enquanto explora cada recanto das diversas masmorras sinuosas. O esquema é sempre o mesmo, alcançar o mais longe possível para evoluir de nível.

Este título, apesar dos seus traços característicos, Dungeons não pode ser considerado um verdadeiro role-playing game pois condiciona o jogador às limitações de, por exemplo, armas e armaduras da nossa personagem, eliminando a presença de evolução de habilidades — algo muito comum entre jogos do género. É, essencialmente, um jogo simples, mas nem por isso o torna cansativo. É um jogo para jogar em família ou entre amigos.

Ambientação

Minecraft Dungeons segue a imersividade de Minecraft — o título original — no entanto, é ambientado numa trajetória mais de jogo da Lego, com visão em terceira pessoa e ao estilo de aventura e não de sobrevivência ou criatividade como o seu parente próximo. É um mundo repleto de aventuras, no entanto, somos forçados a ciclo repetitivo de missões idênticas.

Confesso que tinha pensado em algo que desse continuidade ao trabalho alcançado pela Mojang com o lançamento de Minecraft, no entanto, somos brindados com uma história de aventura que aborda as mecânicas e o estilo do título forte da produtora, mas a um nível superficial (ainda que com alguma variedade), pelo menos, nas capacidades do inimigo que se tornam mais fortes. Se no início, bastante alguns murros e o inimigo estava knocked-out, mais à frente, já necessitamos de métodos mais ortodoxos.

A personalização neste novo mundo de Minecraft Dungeons é algo bastante apreciado, visto que sendo um título role-play, permite que dê vida ao seu personagem e uma abordagem única — um “papel na sociedade” (a role in the game) — transmitindo uma sensação de que o jogo realmente precisa de si, o que até nem é mentira, mas que em boa verdade, pode ser feito por qualquer outro (assim haja uma estratégia).

Falamos de um jogo que na sua limitação natural, permite bons momentos abordo desta aventura em busca de restabelecer a ordem. Se procura a criatividade de Minecraft, esqueça! Continue a sua jornada no título forte da série Minecraft e deixe Dungeons para os amantes de aventuras e guerrilhas dos pequenos cidadãos quadrangulares, aos quais fomos habituados pela Mojang.

Multiplayer

Este jogo tem uma particularidade que não é comum a grande parte dos videojogos que abordam o estilo dungeon crawler — poder jogar em modo multiplayer —, no entanto, apenas em co-op de até quatro jogadores, mas sem matchmaking, o que significa que não pode encontrar outros jogadores que não aqueles que conhece, pois poderá jogar em conjunto por convite. É pena, faltava apenas esta possibilidade para ser um grande sim em todo este jogo (não deixando de ser um ponto a favor, quando comparado com outros jogos).

Nós testámos o jogo em PlayStation 4 e o feedback foi bastante positivo, sem grandes problemas a levantar. Aliás, o jogo não mostrou em momento algum dificuldades em ser jogo na versão mais básica da PS4. Baseando-me na nossa experiência online, diria que (à parte de alguns momentos bem divertidos), pode ter sido a melhor parte deste jogo. Afinal de contas… que jogo é mais divertido do que um com amigos? Muito poucos. Provavelmente só jogos single-player que são pensados exclusivamente para esse propósito e mesmo esses, por vezes, chegam a receber modos multijogador.

Jogabilidade

O estilo de jogabilidade de Minecraft Dungeons não é particularmente especial, segue mais ou menos, sempre o mesmo rumo. Luta contra enormes vagas de monstros, vagas e mais vagas, por fim, chega ao Boss e derrota-o — feito, concluído com sucesso! Pronto, vá, em alguns momentos, tem mais do que isso. Mas torna-se um pouco forçado. Apesar disso, não critico essa posição, afinal de contas é um estilo que é fundamentalmente isto. Para quem gosta, não destoa!

Os novos níveis de dificuldade permitirão que possa usar armaduras e armas melhores, o que estatisticamente permitirá derrotar os seus inimigos com mais eficiência, embora muitos deles, tenha que arma tenham, parecem absorver todo esse seu poder de ataque, para o aplicar contra si. Quer progredir? Seja mais ágil que o seu inimigo. E atenção que nem sempre é tarefa fácil!

Observe-se que apesar de isto ser um jogo de aventura, nem tudo será tão simples como parece à primeira vista. Por vezes, a dificuldade pode ser bastante intensa. Por exemplo, o Redstone Golem é usado demasiadas vezes no final da campanha, onde as táticas serão quase sempre as mesmas — o que pode beneficiar se souber como se defender — mas que se podem tornar demasiado repetitivas e chatas. Assim como acontece com este vilão, acontece com muitos mais.

Não existe muito mais a apontar às mecânicas de jogo, tirando o facto de estar muito bem feito, no que a ausência de bugs diz respeito. Não tivemos qualquer experiência a acrescentar — o que tem sido uma constante em grandes séries de jogos, nos últimos anos. Parece que a comunidade se tem mostrado cada vez menos obstante a problemas, deixando-se iludir pelo marketing e publicidade. Pelo menos, em Minecraft Dungeons, é cumprido aquilo a que se propõe.

Veredito

Minecraft Dungeons: Hero Edition traz-nos essencialmente aquilo que fora prometido com Dungeons, mas com alguns extras. É um fã de A-RPGs ou de dungeon crawler? Este pode ser o seu jogo, pelo que recomendamos que o experimente. Contudo, nem todos os fãs de Minecraft olharão para este jogo do mesmo modo. É interessante e uma experiência estranha ao mesmo tempo.

Aproveite agora, que estamos perto do natal e ofereça àquele seu amigo que gosta deste estilo de jogos, será certamente um bom presente. Ou então, presenteia-se a si próprio numa altura de grande aflição, em que enfrentamos um vírus completamente arrasador – é uma boa maneira de permanecer em casa? Decida você mesmo o que acha da nossa sugestão.

A edição Hero está neste momento à venda por cerca de 20€, pelo que será um bom atrativo, em termos de preço-qualidade, na grande maioria dos pontos de venda físicos. Contudo, como habitualmente, poderá adquiri-lo via chave digital, promovendo o afastamento de lojas físicas, neste período pandémico.

Gostaria ainda de agradecer, uma vez mais, a oportunidade concedida por parte da Ecoplay ao garantir o acesso do Mais Tecnologia a este novo título (em versão PS4) para que pode ser testado e avaliado aqui, no site, mas sobretudo enriquecendo a nossa cobertura nesta área tão emergente como é o segmento dos videojogos.

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