Milagre em João Pessoa: Bebê de 1 ano e 9 meses sobrevive após choque elétrico e reanimação heroica de 20 profissionais
O incrível desfecho de uma emergência pediátrica em João Pessoa, onde a vida de Hytalo Felipe Santos foi salva por uma equipe dedicada.
O que poderia ter sido uma tragédia familiar transformou-se em um testemunho de esperança e resiliência. Hytalo Felipe Santos, um bebê de apenas 1 ano e 9 meses, deu entrada em um hospital em João Pessoa em estado gravíssimo após sofrer um choque elétrico em casa.
O pequeno Hytalo chegou à unidade hospitalar em parada cardiorrespiratória, um quadro que exige ação imediata e precisa. No entanto, o Hospital do Servidor General Edson Ramalho (HSGER), onde a família buscou socorro por ser o mais próximo, não é uma unidade de referência em urgência pediátrica.
Apesar das circunstâncias, uma equipe composta por cerca de 20 profissionais, entre médicos, enfermeiros e fisioterapeutas, uniu forças em uma verdadeira corrida contra o tempo. O objetivo era claro: trazer Hytalo de volta à vida. O desfecho emocionante dessa batalha pela sobrevivência foi divulgado pelo portal G1.
Uma Força-Tarefa em Ação para Salvar uma Vida
O incidente ocorreu no bairro do Roger, em João Pessoa. Hytalo, brincando em casa com os irmãos, teve contato com uma extensão elétrica precária sem proteção. Sua mãe, ao perceber a situação, agiu rapidamente, desligou a energia e correu em busca de socorro, sendo trazida ao HSGER por um vizinho.
Ao chegar na Sala Vermelha do hospital, o bebê já estava em parada cardiorrespiratória. A equipe médica, ciente da gravidade, mobilizou-se imediatamente. O cirurgião Thyago Duavy, mesmo não atuando na pediatria, foi chamado e, com agilidade e o auxílio de ultrassom, conseguiu o acesso venoso necessário para administrar as medicações.
“Quando cheguei, a criança já estava em parada, toda a equipe empenhada nas manobras de reanimação, mas com dificuldade de acesso venoso. Solicitei um gelco e, com apoio do ultrassom, consegui puncionar rapidamente para iniciar as medicações do protocolo, para que ele começasse a responder às manobras”, relatou o médico Thyago Duavy.
Fé, Profissionalismo e um Milagre em Meio ao Desespero
O processo de reanimação durou cerca de uma hora e envolveu uma colaboração intensa de diversas áreas, incluindo a equipe da Sala Vermelha, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais e psicólogos. A coordenadora de Enfermagem da Urgência, Roberta Medeiros, destacou a sintonia da equipe.
“Foi coisa de Deus mesmo. Tudo se encaixou. Todos os profissionais se voltaram para salvar o bebê e o Núcleo Interno de Regulação (NIR) articulou rapidamente a transferência de Hytalo para o Hospital de Trauma, referência em casos de choque elétrico. Todo mundo sabia da sua missão”, contou Roberta Medeiros.
O médico Thyago Duavy, em meio à tensão, expressou sua convicção: “Ele vai viver, querem ver? Ele vai viver! Vamos rezar um Pai Nosso!”. A emoção tomou conta da equipe quando o coração de Hytalo voltou a bater e sua condição se estabilizou. “Eu vi profissionais chorando de emoção. Não tem dinheiro que pague isso. É a sensação de dever cumprido, de estar servindo ao próximo”, afirmou Thyago.
A Jornada Continua: Estabilidade e Esperança no Hospital de Trauma
Após a estabilização no HSGER, Hytalo foi transferido para o Hospital de Trauma, unidade especializada em casos de choque elétrico. Ele permanece internado na UTI Pediátrica, em estado grave, mas estável. A equipe médica demonstra otimismo em relação à sua recuperação e prognóstico.
A pediatra Emanuelle Carvalho, coordenadora médica da UTI Pediátrica do HSGER e participante da reanimação, expressou gratidão pelo trabalho conjunto. “A equipe da UTI do Trauma tem esperanças de recuperação e prognóstico bom em relação a sequelas. Só tenho a agradecer pelo trabalho em conjunto de todas as equipes envolvidas. Conseguimos estabilizar essa criança e dar uma nova chance a ele”, afirmou.
Apoio à Família e Garantia de Direitos
Paralelamente ao atendimento médico, as equipes de psicologia e serviço social ofereceram suporte à mãe de Hytalo, que estava profundamente abalada. A família vive em uma ocupação no bairro do Roger e se encontra em situação de vulnerabilidade social.
As assistentes sociais prestaram orientações e acionaram o Conselho Tutelar para garantir os direitos da criança, emitindo um relatório social. A história de Hytalo é um lembrete da importância do atendimento humanizado e da colaboração entre as instituições de saúde, especialmente em situações de emergência que envolvem crianças, mesmo quando o hospital não é a referência primária para o atendimento pediátrico.
