Paraíba: Escravidão Moderna Dispara com Aumento de 386% em Resgates; Construção Civil é o Principal Alvo

Paraíba: Escravidão Moderna Dispara com Aumento de 386% em Resgates; Construção Civil é o Principal Alvo

Paraíba registra crescimento assustador de resgates de trabalhadores em condição análoga à escravidão.

A Paraíba apresentou um aumento de **386,79%** nos resgates de trabalhadores em situação análoga à escravidão, conforme dados divulgados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). O número expressivo de resgates acende um alerta sobre as condições de trabalho no estado.

No último ano, foram resgatadas **258 pessoas** em todo o território paraibano. A grande maioria, cerca de **91,86%**, atuava na **construção civil**, com foco principal nas cidades de João Pessoa e Cabedelo. No Brasil, foram registradas 4.515 denúncias de trabalho escravo em 2023.

A procuradora do Trabalho Marcela Asfóra, coordenadora Regional da Conaete/MPT, classificou os dados como alarmantes e reforçou a necessidade de vigilância constante dos órgãos de fiscalização. Ela também destacou a importância do **apoio da sociedade através de denúncias** para combater essa dura realidade.

Operações de Fiscalização e Principais Setores Afetados

Ao longo de 2023, o Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) do Ministério do Trabalho e Emprego realizou sete operações na Paraíba. Essas ações, que contam com a participação de diversos órgãos como o MPT, MPF, Defensoria Pública da União e Polícia Federal, investigam e combatem o trabalho análogo à escravidão em todo o país.

As operações na Paraíba resultaram na assinatura de 20 Termos de Ajuste de Conduta (TACs) e sete Ações Civis Públicas (ACPs). Além da construção civil, trabalhadores em **pedreiras** de municípios do interior do estado também foram resgatados de condições degradantes.

Perfil das Vítimas e Relatos Chocantes

O perfil predominante das vítimas resgatadas na Paraíba são homens, negros, com baixa escolaridade, que atuam em profissões como pedreiros, ajudantes de pedreiros, carpinteiros, betoneiros e gesseiros. O relato de “João” (nome fictício), pedreiro de 63 anos, ilustra a vulnerabilidade desses trabalhadores: “É muito fácil o povo me enganar porque não tenho estudo, só sei mesmo escrever meu nome”.

O sofrimento é ecoado por “Cícero” (nome fictício), paraibano resgatado na Região Norte. Ele descreve a experiência com dor: “Foi muito suor derramado. É suor de espremer a camisa. Água a gente bebia desesperadamente, porque o sol era muito quente. O trauma ficou”. Ele foi atraído com promessas de bom dinheiro, mas encontrou apenas sofrimento.

Atenção a Paraibanos em Outros Estados e no Exterior

A procuradora Marcela Asfóra alerta que, embora o número de resgates na Paraíba tenha aumentado, paraibanos podem estar em situações semelhantes em outros estados ou até mesmo no exterior. Ela aconselha a população a ficar atenta a **ofertas de emprego com promessas exageradas**, inclusive no esporte, em outras cidades ou países.

Pós-Resgate e Canais de Denúncia

A Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae-PB), ligada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano, atua no **acolhimento e assistência às vítimas** após o resgate, garantindo a proteção de seus direitos fundamentais. O trabalho de reintegração é crucial para a recuperação dessas pessoas.

Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas através do site do MPT na Paraíba, do portal nacional do MPT, do aplicativo MPT Pardal e pelo Disque 100. O MPT também disponibiliza o número de WhatsApp (83- 3612-3128) para recebimento de informações importantes.

Francisco Araújo

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