Feminicídio é o Ápice da Violência, Alerta Secretária das Mulheres da Paraíba: “Começa com um tapa”
Secretária das Mulheres da Paraíba alerta: violência contra a mulher não começa no feminicídio, mas sim com agressões iniciais.
A violência doméstica, que pode culminar no trágico feminicídio, é um processo gradual e muitas vezes silencioso. A secretária de Estado das Mulheres e da Diversidade Humana da Paraíba, Lídia Moura, fez um alerta contundente sobre a evolução das agressões contra a mulher em entrevista ao programa Tribuna Livre, da TV Arapuan.
Segundo a secretária, o feminicídio representa o estágio mais extremo da violência, mas é precedido por uma série de atos considerados “menores”, porém igualmente graves. Ela ressalta a importância de intervir desde os primeiros sinais para evitar que a situação se agrave a ponto de se tornar irreversível.
As declarações surgiram em meio à repercussão do caso envolvendo o cantor paraibano João Lima, investigado por violência doméstica. A secretária Lídia Moura destacou que a sobrevivência da vítima, Raphaella, é motivo de gratidão, pois a violência pode ter um desfecho fatal.
A violência doméstica é um ciclo que se inicia antes do ápice fatal
Lídia Moura explicou que o feminicídio não é um evento isolado, mas sim o resultado de uma escalada de agressões. “A violência não começa no feminicídio. O feminicídio é o ápice. Começa como um tapa, um empurrão, o desrespeito”, afirmou a secretária, enfatizando que cada pequena agressão é um passo em direção a um ciclo de violência mais perigoso.
A dificuldade em denunciar é um dos principais obstáculos, conforme apontou a secretária. Muitas mulheres hesitam em buscar ajuda por sentirem medo e vergonha, especialmente quando a situação ainda não atingiu um ponto crítico. Essa relutância permite que as agressões se intensifiquem.
É fundamental que as mulheres procurem apoio aos primeiros sinais de violência. A intervenção precoce pode quebrar o ciclo de agressões e evitar que casos evoluam para situações mais graves, como as que levam ao feminicídio. A sociedade tem um papel crucial em encorajar e apoiar as vítimas a buscarem ajuda.
O caso do cantor João Lima e a importância da denúncia
A prisão preventiva do cantor paraibano João Lima foi decretada após a divulgação de vídeos que mostravam o artista agredindo a esposa, Raphaella Brilhante. As agressões investigadas incluem socos, apertos na mandíbula, amordaçamento e ameaças com faca, conforme o processo judicial. A vítima registrou boletim de ocorrência e obteve medida protetiva.
Raphaella Brilhante confirmou publicamente as agressões, descrevendo a dor como algo que “atravessa o corpo e a alma”. A defesa do cantor alegou o cumprimento de medidas protetivas anteriores e anunciou que ele se apresentará voluntariamente às autoridades. O caso segue em investigação pela Polícia Civil.
Como e onde denunciar violência contra a mulher
A Secretaria das Mulheres reforça a importância de utilizar os canais oficiais para denúncias. Caso você ou alguém que conheça esteja sofrendo violência, não hesite em procurar ajuda. As autoridades estão preparadas para acolher e proteger as vítimas.
Os principais contatos para denúncia são o 190 para emergências da Polícia Militar, o 197 para a Polícia Civil e o 180, que é a Central de Atendimento à Mulher. Essas ferramentas existem para garantir o apoio e a segurança de todas as mulheres.
