Coligação de Cícero protocola AIJE e acusa Lucas Ribeiro de usar sistema para mapear eleitores e prometer benefícios em troca de votos

Coligação de Cícero protocola AIJE e acusa Lucas Ribeiro de usar sistema para mapear eleitores e prometer benefícios em troca de votos

Coligação de Cícero Lucena acusa Lucas Ribeiro de compra de votos com sistema “VQ2026”

A coligação “Juntos Para a Paraíba Dar o Próximo Passo”, que apoia a candidatura de Cícero Lucena (MDB) ao Governo da Paraíba, protocolou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o governador e candidato à reeleição, Lucas Ribeiro (PP), e sua vice, Lígia Feliciano. A ação, que tramita no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), alega o uso de um sistema para mapear eleitores e oferecer benefícios em troca de votos.

Conforme a petição, a chapa adversária teria utilizado uma plataforma denominada “VQ2026 — Visitas Qualificadas 2026” para realizar abordagens domiciliares. O sistema supostamente registrava a intenção de voto dos eleitores antes e depois das conversas, identificava necessidades pessoais e organizava o retorno das equipes para atender a essas demandas. Essa prática é descrita como a “maior compra de votos na história do Brasil” por um dos advogados da coligação.

A ação sustenta que o sistema foi empregado para captação ilícita de sufrágio, abuso de poder político e econômico, e uso de servidores públicos em atividade eleitoral. Os autores solicitam a preservação de provas digitais e a realização de perícias e cruzamentos de dados para comprovar as alegações. A informação foi divulgada pela coligação.

Sistema “VQ2026” registrava intenção de voto e necessidades dos eleitores

Um dos pontos centrais da AIJE é o funcionamento da plataforma “VQ2026”. Segundo a coligação, o sistema não se limitava a pesquisas eleitorais comuns, mas registrava a intenção de voto do eleitor em dois momentos distintos: antes e após a abordagem do cadastrador. Relatórios apresentados indicam que 2.126 pessoas teriam mudado de posição durante as conversas, o que, segundo os autores, demonstra a eficácia das abordagens em influenciar o voto.

A plataforma também identificava nominalmente o candidato “Lucas” e gerava métricas sobre a conversão de eleitores e o desempenho das equipes de campo. A coligação argumenta que o registro duplicado da intenção de voto, com a indicação de que “2.126 mudaram de posição durante a abordagem”, evidencia que a finalidade da estrutura era verificar a efetividade das ações de campanha, e não apenas coletar opiniões.

Demandas dos eleitores eram cadastradas e prometidas em troca de votos

A ação detalha que a plataforma “VQ2026” possuía um módulo específico para o registro de demandas pessoais dos eleitores. Entre os pedidos registrados, estavam consultas médicas, exames, cestas básicas, saneamento e calçamento. No período analisado, o sistema teria contabilizado 1.721 demandas individuais, além de 723 pedidos de material e 6.942 revisitas.

Essas demandas eram vinculadas a dados pessoais dos eleitores, como nome, endereço e telefone, e encaminhadas para perfis identificados como “Setor de demandas” e “Entregador”. Os temas mais frequentes incluíam saúde (303 menções), segurança (251), lixo (101) e cestas básicas (82). A coligação afirma que o sistema classificava essas solicitações como “compromissos que exigem retorno da equipe”, sugerindo a promessa de atendimento em troca de apoio eleitoral.

276 servidores estaduais teriam sido identificados na plataforma

Outro ponto crucial da AIJE é o cruzamento entre a lista de colaboradores do “VQ2026” e a folha de pagamento do Governo da Paraíba. A coligação afirma ter identificado 276 colaboradores que seriam servidores estaduais, representando 21,4% do cadastro analisado. Deste grupo, 158 seriam contratados temporários, 105 ocupavam cargos comissionados e 11 eram servidores efetivos.

A coligação alega ter tomado conhecimento da plataforma por meio de uma denúncia anônima. O denunciante teria fornecido credenciais de acesso ao sistema, permitindo à equipe jurídica da campanha consultar e baixar os dados. O caso foi comunicado ao Ministério Público Eleitoral, que teria certificado a existência dos dados. Posteriormente, o site foi retirado do ar, mas os dados teriam sido preservados.

Pedidos da coligação ao TRE-PB incluem cassação de registro e diploma

No mérito da ação, a coligação pede que a Justiça Eleitoral reconheça a prática de captação ilícita de sufrágio, abuso de poder político e econômico, e conduta vedada pelo uso de servidores públicos em campanha. Em caso de procedência, os autores solicitam a cassação do registro ou diploma de Lucas Ribeiro e Lígia Feliciano, além da aplicação de multas e, no caso de abuso de poder, a declaração de inelegibilidade por oito anos.

A ação também solicita o cruzamento dos registros da plataforma com imagens das câmeras do sistema Smart City de João Pessoa para confirmar os horários e locais das visitas. Adicionalmente, pede-se o cruzamento dos dados dos celulares dos colaboradores com os endereços registrados no sistema.

GTavares

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