Veneziano destina R$ 210 milhões à BR-230, que teve empresa de ex-funcionário contratada
O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) destinou R$ 210 milhões em emendas parlamentares para obras de ampliação da rodovia BR-230, na Paraíba. Parte dessa verba foi destinada através de emendas de relator (R$ 160 milhões) e da Comissão de Infraestrutura do Senado (R$ 50 milhões) no Orçamento de 2023.
Relatos publicados pela Folha de S.Paulo apontam que consórcios responsáveis pela execução da obra subcontrataram empresas ligadas a Rodrigo Neves, ex-funcionário que atuou no gabinete do parlamentar até 2017.
Ligação empresarial e subcontratações
Rodrigo Neves tornou-se sócio-administrador da empresa Comtech em setembro de 2024, após a empresa assinar contrato com um dos consórcios. A Comtech, anteriormente denominada Aqualimp Carcinicultura, teve seu objeto social alterado para construção e sinalização de rodovias em maio de 2024. O irmão de Rodrigo, Marcelo Neves, mantém vínculo de trabalho no gabinete do senador desde 2019.
Outras empresas citadas no processo de subcontratação possuem vínculos familiares ou profissionais com Rodrigo:
- Selecta Construções: Pertence a Romulo Pires Neto, cunhado de Rodrigo Neves.
- Com Infraestrutura e Mineração: Pertence a Gabriel Mattos e Edenilton Coelho, ex-sócio de Rodrigo na Comtech.
Posicionamento do senador e fiscalização
O senador Veneziano Vital do Rêgo negou qualquer interferência na seleção das empresas ou na gestão dos contratos. Em nota, o parlamentar afirmou que a escolha de subcontratadas é responsabilidade administrativa das empresas executoras e dos órgãos fiscalizadores.
“O senador não participa de licitações, não escolhe empresas, não indica subcontratadas, não autoriza pagamentos e não interfere na fiscalização de contratos”, declarou o senador.
A execução dos contratos nas obras da BR-230 é fiscalizada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). A superintendência regional do órgão na Paraíba é dirigida por Arnaldo Monteiro, indicado por Veneziano. Segundo o DNIT, a obra recebeu R$ 397 milhões desde 2023, dos quais R$ 38,9 milhões foram provenientes de emendas parlamentares. A LCM Construção e Comércio, uma das integrantes dos consórcios, reforçou que não houve ingerência política em suas contratações.
