Projeto ‘Por Elas’ em João Pessoa: Educação infantil é a chave para combater violência de gênero e proteger mulheres
Educação infantil: A arma mais eficaz contra a violência de gênero, aponta projeto em João Pessoa
A educação de crianças foi apontada como uma das principais ferramentas para prevenir e combater a violência contra as mulheres durante mais uma edição do projeto ‘Por Elas – no Enfrentamento à Violência’. A iniciativa, realizada pela Prefeitura de João Pessoa, por meio da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres (SPPM), buscou fortalecer a rede de proteção feminina e ampliar o diálogo sobre o tema.
O evento, realizado no auditório do Centro Administrativo Municipal (CAM), em Água Fria, contou com palestras, seminários e rodas de conversa. O foco foi a conscientização sobre a violência doméstica e seus profundos impactos na vida das mulheres e de suas famílias. A programação promoveu a importante troca de experiências entre profissionais que atuam diretamente na rede de atendimento.
Um dos momentos cruciais foi a palestra da promotora de Justiça Artemise Leal, da 59ª Promotoria de Justiça de João Pessoa de Defesa da Mulher. Ela ressaltou a importância fundamental do processo educativo nas escolas para reverter o quadro de violência contra as mulheres. Conforme informação divulgada pela Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres (SPPM), a promotora destacou que as instituições cumprem seu papel, mas que a educação é o caminho para a mudança definitiva.
Lei garante o debate sobre violência contra a mulher nas escolas
Artemise Leal referiu-se à Lei nº 14.164, de 10 de junho de 2021, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Essa legislação inclui a prevenção da violência contra a mulher nos currículos escolares e institui a Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher. A promotora enfatizou que a lei obriga as escolas a tratar o tema de forma pedagógica e transversal nos currículos.
Prefeitura amplia o debate para comunidades e famílias
A secretária das Mulheres de João Pessoa, Nena Martins, endossou a fala da promotora, afirmando que a Prefeitura tem se empenhado em levar esse debate para as escolas, visando conscientizar crianças e adolescentes. Ela salientou que a violência contra a mulher não atinge apenas a vítima direta, mas também os filhos, a família e toda a sociedade, perpetuando um ciclo de agressões.
Nena Martins complementou que a iniciativa também alcança comunidades, ONGs, associações e clubes de mães. O objetivo é fortalecer essa rede de proteção e garantir que mais mulheres se sintam seguras para denunciar e buscar ajuda. A secretária ressaltou a importância de envolver todos os setores da sociedade na luta contra a violência de gênero.
Homens e mulheres buscam conscientização e autodefesa
O educador físico André Rodrigues, 39 anos, pai de um menino de dois anos, já se preocupa com a abordagem do tema na educação infantil. Ele afirma que já ensina o filho a tratar as coleguinhas com gentileza. Como instrutor de artes marciais, André tem percebido um aumento na procura de mulheres por cursos de autodefesa, o que o leva a organizar turmas exclusivas para elas.
A psicóloga Jeanne Maria Vitorio considera eventos como o projeto ‘Por Elas’ muito importantes. Ela destaca que essas iniciativas mostram às mulheres que elas podem denunciar e que terão proteção. Jeanne Vitorio ressalta que a violência não se restringe apenas ao espancamento, existindo diversas outras formas de agressão que precisam ser conscientizadas.
A psicóloga pontuou que a conscientização é necessária tanto para as mulheres quanto para os homens, pois muitos agressores sequer se veem como tais. A participação de diversas autoridades, como a delegada Paula Monalisa, da Polícia Civil, e representantes da Defensoria Pública, enriqueceu o debate e reforçou o compromisso com a defesa dos direitos femininos.
Entre os participantes estavam Tânia Castelliano, presidente da Academia da Mulher Cabedelense de Letras, Artes e Ciências, e Alice Sales, coordenadora do Núcleo Especializado da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Estado da Paraíba. Órgãos públicos municipais, como a Ronda Maria da Penha e o Centro de Referência da Mulher Ednalda Bezerra, também marcaram presença, fortalecendo a rede de apoio e proteção às mulheres.
